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Claun - A Saga dos Bate-Bolas
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autorFelipe BragançaarteDaniel SakeDiego SanchezGustavo M. Bragança

No início do século XX, quando o Carnaval era uma festa para poucos e o Rio de Janeiro passava por grandes transformações, grupos de mascarados se reuniam pelos becos da cidade e enfrentavam a ordem pública e a repressão. Diziam ter o corpo fechado, falar com espíritos e ter poderes sobre-humanos. Eram chamados de “clóvis” ou “bate-bolas”.

Hoje em dia, a tradição continua viva no Rio, sobretudo nos bairros do subúrbio. Os bate-bolas habitam as ruas, disputando o imaginário da cidade. Uma gangue de arrastão poético, à margem do Carnaval convencional, e uma tradição que há anos é criminalizada pela elite carioca. Imerso nesse universo mitológico, o cineasta Felipe Bragança idealizou o projeto transmídia CLAUN, cuja primeira fase é composta por uma websérie e um filme-piloto, a segunda pela graphic novel e a terceira, um jogo de videogame, já está em produção.

A proposta é lançar um olhar de crônica e de investigação sobre a mitologia do Rio de Janeiro e os grupos de clóvis e bate-bolas que tomam as ruas no Carnaval – chegando aos milhares de foliões. Pela primeira vez, essas figuras fascinantes que se apropriam do imaginário pop, como lembra Hermano Viana, “recebem finalmente tratamento de super-heróis”.

O projeto CLAUN começou a ser gestado em 2011 e teve início de fato em 2013, quando estreou a websérie, que deu origem ao filme-piloto Os dias aventurosos de Ayana, apresentado no Festival de Rotterdam. A produção contou com a colaboração de sete turmas reais de bate-bolas. Os três episódios da websérie serão também exibidos em breve nas TVs aberta e por assinatura.

O projeto avança para a publicação da graphic novel Claun: a saga dos bate-bolas, pelo selo Barricada, da Boitempo Editorial. O livro será composto por cinco contos, fábulas urbanas em torno da tradição e das lutas históricas dos grupos de clóvis: “As primeiras máscaras”, “Jonas perde seu rosto”, “Daury e a morte”, “Meu rosto quando imagino” e “Amilcar e os espíritos”. Todos os textos e histórias são de Bragança, e a arte é de Daniel Sake e Diego Sanchez e Gustavo M. Bragança. Há também a participação de artistas convidados: o fotógrafo André Mantelli, que documentou uma saída de bate-bolas no Carnaval de 2013, e o artista plástico Aloysio Zaluar, autor de uma série de pinturas realizadas na década de 1970 sobre os fantásticos mascarados do Carnaval. Complementam o álbum fotografias das décadas de 1970, 1980 e 1990, mostrando as mudanças e continuidades na tradição dos bate-bolas.

A obra terá ainda um mapa do Rio de Janeiro com a localização de mais de 300 turmas de bate-bolas e o ensaio “Eu, bate-bola”, que narra a imersão de Bragança nesse universo. O cineasta passou o Carnaval de 2013 como nativo do grupo, sofrendo a mesma violência policial que tenta tirá-lo das ruas, uma consequência do onipresente processo de “revitalização”, “limpeza” e “ordem” da cidade.

“Felipe Bragança, com sua pesquisa sobre o universo dos clóvis e bate-bolas, expressa um olhar único sobre a cidade do Rio de Janeiro. Ao criar um universo próprio, fantástico e com pegada social, define um novo lugar pop para as turmas que tomam as ruas no Carnaval carioca. A delicadeza maior, porém, é sua capacidade de inventar, entre textos e desenhos, uma sensibilidade subjetiva por baixo das máscaras: seus mascarados escondem o rosto para não serem mais invisíveis!”
– Marcus Vinicius Faustini.

“[...] nós, os bate-bolas e clóvis, representamos também o engano, o erro, o ruído, os exus, os sacis, Loki, a batalha simbólica do homem com o imponderável, o inusitado e o que nos tira do repouso, do conforto e do planejado. As bombinhas estouradas nas ruas, a batida forte das bolas de plástico no chão quando passamos correndo no meio da multidão, o mistério das máscaras e das sombrinhas que caminham em linhas projetadas como uma tropa de deuses entre foliões perdidos na festa – tudo ali fala também dos espíritos, do invisível e do imponderável – nos lembra dessa silenciosa certeza de estarmos ali para celebrar a vida. As potências da vida.”
– Felipe Bragança